Cegos do Castelo
Lá vou eu falar do tempo de novo.
Mas dessa vez farei com uma análise mais crítica da situação.
Antigamente muita coisa era diferente. Mas não por não existirem, na verdade, as coisas sempre aconteceram, porém tinham um outro modo de serem interpretadas. Vamos ver se consigo me expressar melhor.
Pensamentos, julgamentos, racismo, preconceito, atitudes...... sempre existirão.
O que ocorre é que por vezes foram abafadas, não expressadas, repensadas, aniquiladas e moldadas de acordo com o agrado e o mais conveniente para a sociedade.
A alienação sempre existiu e permanece até hj. A diferença está no modo como as informações chegam até quem procura. Temos livre acesso a vários pontos de vista nos dias atuais. Temos recursos melhores. Temos condições de discernir o que está correto e o que não está. Basta atentar para "os detalhes". A verdade vem à tona e está na nossa cara.
Citando alguns exemplos.... O homosexualismo sempre existiu. Antes ele era ignorado e repreendido. Hj em dia a abertura é maior, graças a certos progressos e aí regredimos chegando naquele velho ditado dos incultos: "enquanto não estou vendo não me incomoda...." Meu caro, a opção sexual é de cada um e cada um tem direito sobre seu corpo e suas escolhas. Não há nada de anormal, nisso, certo?
Aproveitando esse assunto, a AIDS é uma doença de longas datas. Porém, não se tinha medicamentos e nem diagnóstico certo. Muitas pessoas morreram de AIDS como vem a falecer da mesma maneira atualmente, no entanto, é melhor associá-la a outro assunto e dar “nome aos bois”. Uma doença que não tem cura devido a sua amplitude de sintomas e todos os efeitos que desencadeiam no corpo humano merecia no mínimo ser divulgada com clareza e seriedade perante a sociedade. E não rotulada como um mal sem cura.
Quer outro exemplo? A virgindade pregada para até depois do casamento. Deixemos de ser hipócritas porque muitas avós de casaram com 15 anos de idade já grávidas. E ainda dizem que antigamente os casais de casavam cedo por não ter nada permitido. Que era beijinho na mão pra cá, pegava na mãozinha pra lá. Mas pra abafar o caso de casar esperando um filho, casa antes de crescer a barriga e está tudo lindo aos olhos da sociedade! Pronto! E agora recriminam aos montes as tantas estatísticas de meninas grávidas já cedo. Mas isso sempre aconteceu......
Desde sempre se driblam os desvios da sociedade. Em minha opinião, qual o intuito de protelar e abafar tudo o que sai do padrão? Tudo o que é diferente e novo?
Todos podem ter opiniões e escolhas diferentes (no caso do homossexualismo), podemos ter tendências em cometer erros em algum momento... somos humanos!
Não sou liberal ao ponto de achar que é maravilhoso ver jovens grávidas deixando o estudo e a vida para trás com uma gravidez precoce, pregar o sexo sem prevenção e por simples instinto e nem mesmo em apoiar o uso de drogas, mas também não acho justo que nossa geração seja condenada e execrada por situações corriqueiras e que já eram de conhecimento de todos há muito tempo atrás.
Pior do que ser cego e hipócrita é achar que todos devem pagar pelos erros que nós mesmos cometemos.
O que sempre existiu esteve diante de nossos olhos.....
“Eu sou do tempo do topete, brilhantina e vaselina Eu sou do tempo do beijinho na bochecha da menina
Do tempo que sapato grande era sapatão E que galinha era comida só de domingão Do tempo que a vaca era a mulher do boi (um dia foi) Eu troco as bolas sem querer, mas não me leve a mal Naquele tempo tudo era normal Do tempo que homem que comia homem era só canibal
Do tempo que Roberta era nome de mulher E dar colher era entregar pra alguém o seu talher Comer na escada era coisa de pedreiro ocupado e apressado Hoje parece mas não é, ninguém mais faz segredo O que era doce já ficou meio azedo Do tempo que sentar numa boneca era só quebrar o brinquedo”
(Do tempo que... - Composição: Michael Sullivan / Paulo Massadas)
.... eximir-se e buscar saudosismo não é caminho para a solução.
Escrito por Baunilha às 13h32
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